Labs não são novidade no mundo, eles estão entre nós há muito tempo. Quando voltei para o varejo, por volta de 2013, esse assunto de inovação e tecnologia estavam no DNA das agências por onde já havia passado, mas percebi que não era tão obvio assim dentro dos grandes varejos tradicionais — tirando a Magalu, com a influência de profissionais incríveis como o Fred e o Fatala — vários varejos ainda estavam engatinhando nesse tema.

O que vocês verão a seguir é um apanhado de ideias e pesquisas feitas basicamente antes de 2014 sobre os caminhos de um lab dentro de uma empresa, é antigo mas acredito que alguns conceitos se mantém relevantes até hoje.


NOTA: Uma empresa inovadora é feita de pessoas criativas e todos devem contribuir para sua evolução, um departamento de inovação nesse caso parece ter pouca utilidade, mas nem todas empresas são assim, algumas realmente precisam de um empurrão no sentido de rever seus processos e seu modelo de negócio, e com isso influênciar uma mudança de comportamento em suas pessoas.

O Primeiro passo foi buscar dentro do varejo brasileiro e mundial quem estava estruturando um lab e qual o modelo de negócio estavam seguindo, fiz uma intensa pesquisa para buscar os principais players e entender o cenário total.

Segundo passo foi olhar para dentro, e definir a nossa proposta de valor, que estaria sustentada por 3 pilares:

• Busca constante por novas tecnologias e soluções inovadoras no mercado de varejo.
• Análise e conhecimento das necessidades da empresa e dos clientes.
• Capacidade de execução e pessoas dispostas a fazer acontecer.

A intersecção desses 3 princípios, resultaria no que seria o Lab, ele não deveria ser um departamento para criar pilotos de testes ou MVP, mas aplicar soluções aos problemas reais da empresa, implementar, testar com os consumidores e a partir do feedback deles decidir o que deveria continuar, melhorar ou parar de ser feito.

Com isso teríamos o foco total no cliente, seria orientado a resultados, com um grande senso de oportunidade e Timming do mercado.

Basicamente o mesmo modelo que o Thomas Edson buscava trabalhar, seguem algumas de suas frases:

“ Eu descubro o que o mundo precisa, então eu procuro inventar … ”
— Foco no cliente.

“Meu principal objetivo na vida é fazer dinheiro suficiente para criar cada vez mais invenções ... ”
— Orientado a resultados.

“Uma boa ideia nunca é perdida. Mesmo que o seu criador ou possuidor morra sem divulgá-la, um dia ela renascerá na mente de outro …. ”
— Timming certo.

E com base nessa última frase, fiz um Benchmark de erros que deveriam ser evitados para que as idéias não morressem sem ao menos ver a luz do dia:

1 – Apresentar soluções que não tem valor percebido pelo consumidor

Antes de pensar nas features do produto, pensar nas necessidades do consumidor, quais são seus principais problemas e quais são os ganhos que eles querem ter e percebem valor

2- Modelo de negócio insustentável

Obviamente: gerar mais lucros que custos dos consumidores.

Avaliar o melhor modelo de preço/custo/parcerias necessários para entregar a proposta de valor.

Encontrar os canais certos para atingir e entregar a proposta de valor ao cliente. Se o potencial cliente não conhece seu produto, ele não existe.

Manter uma relação com o consumidor para manter a recorrencia a longo prazo e crescer a base substancialmente.

Modelo de negocio deve gerar valor para os cliente e para a empresa.


Para criar valor para o negócio é necessário criar valor para o cliente. Para manter o valor para o cliente é preciso criar valor para o negócio

3- Negligenciar fatores externos ao ambiente dos negócios

Os competidores “prendem” os clientes em seus modelos de negócio e dificultam a mudança (ex.: competir contra produtos da Apple )

Os habitos do consumidor mudam com frequencia com novas ofertas disponíveis de produtos?

Mudanças no macro ambiente, como tecnologias disruptivas, leis de regulamentação, etc podem ter impacto na viabilidade do negócio?

Avaliar constantemente o modelo de negócio para impedir as ameaças que podem aparecer.

4-Execução pobre

Se os processos, pessoas, tecnologia não estiverem alinhados com os pontos mais críticos do modelo de negócio, poderão surgir problemas.

Monitorar todos os KPIs nem sempre é necessário, dar um passo atrás e ver somente os indicadores do modelo de negócio pode ser o melhor ponto de partida.

Melhorar e refinar constantemente o modelo de negócio buscando novas formas de reiventar o que está sendo feito (ex: Amazon )


Depois de buscar o que não deveria ser feito e o que poderia dar errado,
qual a estratégia, processos, estrutura e habilidades que precisaríamos para ter sucesso?

1-Estratégia:

Nem toda a ideia tem que ser um blockbuster, várias ideias pequenas e incrementais podem levar a grandes lucros.

Ideias transformadoras podem vir de qualquer função – marketing, distribuição, design, etc...

Desenvolver e implementar rapidamente, analisar os resultados.

Apoiar grandes ideias que apresentam resultados claro para o crescimento da empresa.

Ter um portifolio de ideias a promissoras a medio prazo

2- Processos

Controles rígidos sufocam a inovação, é esperado desvios do plano traçado. O planejamento, orçamento e metas aplicadas para o negócio existente tendem a diminuir o esforço dos inovadores: se a equipe for recompensada apenas pela entrega esperada, ao invés do que as circusntâncias sugerem, estes empregados ficarão desmotivados e a qualidade do trabalho será comprometida.

Exemplo:
Depois de executivos da rede - BBC reservar fundos em uma conta corporativa para apoiar a inovação, um novo funcionário usou o dinheiro originalmente alocado para um novo filme de treinamento da BBC para fazer um piloto de “The Office”. O show se tornou a maior comédia de sucesso da BBC por décadas.

3-Estrutura

Facilitar o contato interpessoal e a conecção entre inovadores e o resto da empresa.

Inovações disruptivas geralmente questionam canais já estabilizados ou combinam elementos existentes para criar novos caminhos.

Se a empresa criar uma classe de pessoas: inovadores com privilégios -  o resto da empresa vai conspirar contra as sugestões, e implementações do LAB.

Exemplo:
Facilitar conversas frequentes entre inovadores e gerentes para manter um aprendizado mútuo.
Criar representantes de areas diferentes de negócio, identificando pessoas que tem conexões informais para promover as iniciativas

4-Habilidades

Até a mais técnica inovação precisa de um lider com grande capacidade de comunicação e relacionamento.

Membros de times de inovação bem sucedidos estão sempre conectados pelo desenvolvimento de uma ideia em comum, mesmo se houver um “job rotation” e houver alguma realocação.

Inovadores precisam de parceiros e fornecedores – pessoas que sabem encontrar parceiros – são importantes peças num time de inovação.

Exemplo:
Quando Williams- Sonoma lançou seu bem sucedido site de e-commerce, ela colocou um gerente no controle que não era um expert em tecnologia mas que soube montar uma equipe necessária com diversos perfis e habilidades para contribuir com o negócio.

Quais os tipos de projetos que poderiam ser feitos.

Os níveis de complexidade seguem abaixo, em ordem do que seria mais fácil para o mais complexo:

Design e Marketing
Inovação do design, UI/UX ou composto de marketing

Produtos
Extenção de produtos já existentes ou produtos novos, transformar ideias de serviços em produtos

Serviços
Novos serviços adicionados a produtos, expansão de serviços existentes ou serviços novos

Mercados, Clientes e Canais
Quais mercados, quais clientes e como alcançá-los

Tecnologia
Como usar a tecnologia para criar valor para a empresa

Processos
Como ganhar mais agilidade no processo de trabalho

Gestão
Como  aumentar os resultados dos lideres? como transformar gerentes em inovadores?

Modelo de negócio
Novas formas de criação de valor. Como dobrar nosso fluxo de receita sem acrescentar custos

Indústria
Ao invés de mapear concorrentes, mapear novos caminhos

Conclusão

Esse foi um estudo que apresentei internamente algumas vezes e depois foi arquivado, por isso escrevi ele basicamente no passado.

Ele não aconteceu, e anos depois procurando entender o que estava errado com o projeto, entendi uma coisa:
o projeto não tem nada muito errado, o erro foi em não conseguir mostrar para os líderes a importância em criar uma crise controlada nos negócios e se preparar para o futuro.

Hoje entendo como fazer isso, e talvez esse seja meu próximo texto.