Quando o consumo de conteúdo e mídia passa por uma mudança, um novo comportamento surge. A bem pouco tempo atrás tínhamos apenas 3 jeitos de ser impactados: TV, Rádio e Mídia impressa, havia uma quarta também, o boca a boca, que não era tão confiável — Ops! pensando bem, os outros também não eram...

O modelo da TV é bem simples, você compra o tempo das pessoas e sua marca aparece na frente delas. Se elas vão ver ou não, isso já é outra estória, a gente só sabe que metade desse dinheiro investido é jogado fora, só não sabemos qual metade.

O que acontece agora é que esse modelo mudou, a audiência passiva está morrendo e surgindo um novo modelo de negócio onde:

1 - Os dados que fornecemos quando navegamos deixam rastros que tem muito valor para as empresas,

2 - Se você está conectado, você tem poder,

3 - e sim, você passa a estar no comando.

Se pensarmos a relação entre cliente e marca vemos uma mudança profunda:

Antes o modelo era top down, as marcas impunham para os clientes suas mensagens, os verbos associados as comunicação eram Ler, Ouvir e Assistir, a mensagem da marca ( Brand message ) é o principal elemento a ser trabalhado.

Nesta época as agências de publicidade ganhavam muito dinheiro colocando anúncios de seus clientes na Globo, e podiam se dar ao luxo de ter profissionais com muito talento ganhando muito bem e trabalhando praticamente sem custo para seus clientes.

Agora o modelo vem mudando, os consumidores tem o poder de opinar e tem mais autonomia para escolher produtos que fazem mais sentido para seu momento e estilo de vida.

Surgem novas empresas com novos verbos associados as seus planos de comunicação, que antes eram limitados a Ver, Ler e Ouvir, agora temos: Pedir (iFood, Rappi), Namorar ( Tinder ), Transportar ( Uber ), Hospedar ( Airbnb ) e por ai vai.

E quanto maior o universo expandido em volta desse verbo que empresa se propõe a usar, maior é o valor de sua marca,

por exemplo Airbnb: Começou fazendo a disrupção da indústria de hospedagem e viagem oferecendo Home-Sharing, depois do crescimento de sua oferta inicial, expandiu seus produtos para um forum de discussão online e uma ferramenta para planejar viagens, geralmente quem quer viajar procura criar seu plano antes, e depois passou a oferecer a possibilidade de viver experiências em suas estadias. O objetivo é criar um ambiente onde a marca envolva o cliente em todas as suas necessidades.

No contexto onde o cliente decide a mensagem que quer receber, o Brand behavior e a experiência passa a ter mais valor que somente a mensagem top down.

O produto se torna protagonista da estória, e o valor exorbitante de um anúncio na Globo talvez já não faça mais tanto sentido — apesar de ainda ser a forma mais fácil de atingir milhões de brasileiros — os benefícios que os produtos proporcionam podem ser reforçados por um filme bonito, mas se o produto não for bom, é como jogar um monte de dinheiro em um balde furado.

Nesse sentido, o próprio produto se torna sua mídia, e ao invés de pensar em estórias com metáforas para vender seus produtos, as empresas tem apostado certamente em demosntrações das qualidades de seus produtos, como por exemplo os anúncios do iPhone, que são praticamente um tutorial do produto, lembra da série de posters com fotos tiradas com o iPhone?

E como toda evolução natural, todo produto passa por um ciclo de vida, onde nasce, atinge seu ápice e começa a decair, e geralmente outro produtos entra no mercado rapidamente, assume a liderança e vira um substituto para o modelo antigo.

O principal asset das empresas preparadas para o futuro é a velocidade de inovação, que fica exatamente na intersecção do Marketing/Negócios, da Tecnologia e do Design.

E o objetivo da inovação é gerar crises controladas antes que elas apareçam, desafiar o modelo atual e procurar brechas para novos modelos de mídia, negócios ou de comportamentos.