A idéia central desse texto não é questionar a fé de ninguém, muito menos ser uma crítica a qualquer manifestação religiosa, é apenas um conjunto de observações e pensamentos sobre um tema.

Se a gente pensar que uma marca é algo que cria seguidores, então podemos dizer que a igreja católica é uma marca secular.

— Segundo uma pesquisa realizada pela Mckinsey & Company 76% da geração Z possui alguma religião, sua maioria é católica, então parece que ela ainda está atraindo a atenção das pessoas, inclusive os mais jovens.

E nesta marca, existem alguns elementos que se permanecem imutáveis:

1 — Símbolo Forte
Isso é bem claro quando falamos do principal ícone da igreja, a cruz, ela é um símbolo simples que carrega um grande estória, em qualquer lugar do mundo ele tem a mesmo significado.

2 — Pessoas Inspiradoras
No catolicismo temos o principal personagem, Jesus, ele é carismático, misterioso e inspirador, as pessoas ao mesmo tempo o que o temem, sentem uma atração.

3 — Estória
Desde sempre nos interessamos por estórias, e quanto mais desafios o personagem apresenta, mais interessante é sua estória, e sempre esperamos por um momento em que esse personagem mostre um mundo diferente para nos inspirar, no caso do Jesus que morreu por nós mas continua vivo no reino dos céus, deixou vários legados para serem seguidos como os milagres, a absolvição dos pecados, a vida após a morte e por ai vai.

4 — Envolvimento
Mas uma estória boa não basta, ela tem que envolver as pessoas, ela tem que gerar uma série de elementos onde as pessoas podem se apoiar para sentirem que faz parte de algo maior, no caso os prédios das igrejas, que são lugares sagrados, a bíblia que é o livro de regras para ser seguido, e para cada oração você pode se apoiar em algum santo específico, como um atalho para algo maior a ser conquistado.

5 — Inimigo Comum
Não existe nada que junte mais um grupo heterogêneo do que a ameaça de um inimigo comum, no caso do catolicismo temos o Diabo, que sempre está a espreita para causar algum mal, ele é o principal inimigo a ser combatido por todos.

Vamos fazer um paralelo deste raciocínio em outros contextos.

Vamos pensar na Apple:

Ela tem um símbolo forte e de fácil reconhecimento: a maça

Steve Jobs foi uma pessoa um tanto misterosa, extremamente carismática e inspiradora, independente de sua biografia.

A Apple tem um posicionamento bem definido, eles vieram para desafiar o status quo das empresas tradicionais.

Suas lojas espalhadas pelo mundo são quase um templo para seus fans, seus produtos geram um envolvimento religioso nas pessoas, elas veneram seus gadgets.

E todo apple maníaco, tem um inimigo em comum: o PC, depois o Android.

Curiosamente, depois do Steve Jobs morrer, um de seus elementos se perdeu, e a marca começou a perder seu brilho, sentimos que os produtos novos já não são tão inovadores.

UPDATE: Jony Ive, que era um dos "apóstolos" de Steve Jobs está de saída da Apple, e seu legado de produtos pouco sustentáveis está dando margem para aparecer outros líderes para serem seguidos.

Agora, vamos pensar em um movimento, o nazismo:

O símbolo forte é a suástica,
tinha o Hitler como personagem inspirador,
seu objetivo de purificação da raça era bem claro,
as pessoas que os seguiam estavam apoiavam seu exército...
acho que deu para entender o ponto que quero chegar.

Tente fazer esse exercício com outras marcas grandes.

Se você está me acompanhando até aqui, podemos pensar que a força de uma boa estória vai continuar movendo gerações, e estórias estruturadas dessa forma vão criar mais que fans, vão criar seguidores, desde que se permaneçam autênticas aos seus olhos. Isso faz sentido para você?