Meu primeiro emprego em São Paulo foi no Submarino.com, um dos primeiros sites de e-commerce do Brasil, na época eram apenas 3 categorias, Livros, DVDs e CDs, e curiosamente também tinha uma redação completa para uma revista digital.

Nessa época, não existia Medium, You Tube, Google, na verdade até internet de banda larga era uma coisa que estava engatinhando.

Nossa referência era a Amazon, nós tínhamos um quadro atrás de nossas mesas cheio de fotos e imagens penduradas, uma delas era uma foto do Jeff Bezos, ele era o cara que a gente queria seguir. Nao existia outro
e-commerce de expressão na época, então por anos a Amazon foi nossa escola, junto com a nossa criatividade e vontade de testar e inventar coisas novas.

Quando a gente olha para nosso passado, ele já ficou velho demais. 

Vivemos a evolução da internet, dos computadores para os smartphones, na china foi diferente, eles pularam uma parte da evolução que tivemos e isso foi incrível, eles foram do zero para o ultra-conectado.

A ideia aqui é entender como que funciona esse gigante Alibaba, um dos principais players do oriente, comparado com a Amazon, o maior player do ocidente

Vamos lá.

Pra começar: Ambos são bem sucedidos, mas com modelos de negócios bem distintos.

Amazon é o modelo tradicional, baseado em gestão de estoque e focado no consumidor, a maioria dos seus clientes estão em busca um produto em específico.

Para cativar seus clientes, investiram em busca eficiente, preços baixos, reviews de clientes, recomendação de produtos, facilidade para pagar, entrega rápida e um serviço de primeira, e ao longo dos anos expandiu seus negócios para diferentes linhas de produtos e serviços, como Kindle, Video Streaming, produções originais de shows e filmes e entrega de comida.

Em contraste, Alibaba não tem estoque, não compram e vendem produtos, eles operam como uma plataforma de marketplace, onde as marcas assumem a responsabilidade da experiência e do relacionamento com os seus  clientes. Alibaba oferece ferramentas e serviços para ajudar marcas e pequenos negócios entrar no mundo online e se conectar diretamente seus clientes através de games, notícias, talk shows ao vivo, eventos com celebridades e comunidades online.

Os chineses gastam muito mais que dinheiro online, eles gastam tempo: Shopping é um canal de entretenimento, descoberta, engajamento com amigos, celebridades e influenciadores digitais. Eles gastam em média 30 minutos no site por dia, 3x mais que as pessoas passam em média na Amazon.

Nesse ecossistema, os chineses também são bem sensíveis a marcas e ao consumo — em média uma adolescente consegue identificar 20 marcas de cosméticos, nos EUA, uma adolescente conhece em média 14. e ter um número muito grande de marcas, todas buscando atenção, a busca por inovação dos produtos é constante, assim como a sofisticação dos planos de media.

Tanto Amazon como Alibaba, data e analytics como são cruciais ao negócio, mas eles são usados de forma diferente.

Amazon usa os dados principalmente para refinar suas ofertar de produtos e serviços baseados no padrão de consumo de seus clientes, eles também disponibilizam esses dados para seus fornecedores para ajudar a disponibilizarem os produtos certos, com preços competitivos e gerenciamento de inventário.

Alibaba proporciona muitos dados sobre comportamento do consumidor para ajudar os comerciantes melhorarem o ROI de suas campanhas de marketing e suas lojas virtuais. Por exemplo, os dados podem indicar que o cliente de valor para um comerciante acessa sempre o site depois do trabalho — então a campanha tem maior impacto no final do dia do que durante o dia, assim ele pode direcionar seus investimentos de forma mais assertiva. NOTA - Estamos vendo esse movimento na Amazon também, se tornando uma plataforma de mídia para o momento de decisão de compra.

Alibaba consegue prover essas informações e analises devido ao ecossistema que possui. Os clientes navegam por vários sites, e eles coletam as informações como seus hábitos de compra, consumo de mídia, tipos de entrega, histórico de pagamento e crédito, preferencias de busca, redes sociais e interesses navegando pela internet — usando um “ID unificado” para conectar os dados de diferentes sites. Com mais de 500 milhões de usuários ativos, Alibaba identificou mais de 8.000 perfis de usuários, o que para os comerciantes é um prato cheio na hora de identificar exatamente seu target.

Alibaba também usa esses dados para criar uma experiência realmente personalizada para seus clientes, num grau que nós não temos por aqui. Enquanto a Amazon oferece sugestões de produtos baseadas em buscas e compras realizadas, Alibaba pode sugerir marcas, promoções ou conteúdos totalmente novos para seus clientes, e ainda ter uma resposta extremamente positiva. Poucas empresas levaram a inteligência artificial nesse nível.

E o que vem por ai?

Hoje os problemas da China são semelhantes ao do mundo ocidental: Como crescer com lucro?

A maioria dos shoppings estão perdendo seus clientes e lucros para as vendas online. Na china muitas marcas locais só existem no mundo digital, para tracionar esse crescimento eles tem que expandir para o Offline, especialmente nas áreas urbanas.

E a solução é desenvolver um modelo integrado que use as forças do online e offline combinados, para entregar uma experiência única, sem distinção entre os dois mundos, e o jeito que os clientes pensam e se comportam nos diversos canais determina como o comerciante vai tocar seu negócio. As empresas vão ter que engajar os clientes, e desenvolver habilidades que vão além das operacionais como marketing, inovação e logística para se adaptar a esse ambiente em constante mudança.

Esses insights foram inspirados nos textos desses autores:
Crhis Biggs, Amee Chande, Erica Mattews, Pierre Mercier, Angela Wang, Linda Zou.